23 out | 2017

“Eu não vou namorar tão cedo”, disse a mãe solteira

Namoro com filhos mami jornalista carol nakamura

Foto: Arquivo Pessoal Carol Nakamura

Aliás, muito além de uma mãe solteira, quem nunca disse isso? Quem nunca sofreu uma decepção amorosa, daquela que faz você fechar as portas do seu coração e te deixa com muito medo de sofrer novamente? Se a gente cria esse receio assim, naturalmente, imagina depois de ter filhos?

Antes de alguém sequer entrar em nossa vida, pessoas graduadas em paranóia costumam já imaginar esse alguém saindo também. Paranóia com especialização em drama começa a sofrer antecipadamente, pensando em motivos que levariam à separação, chorando e cantando ao som de Lana Del Rey e chegando à conclusão de que namorar de novo só daqui a muitos anos.

Já é ruim pensar que nós poderíamos sofrer por causa de alguém, imagina pensar que seu filho poderia sofrer com você? Que ele poderia acordar e perguntar “mamãe, cadê fulano?” e você sem saber como dizer que esse fulano não faz mais parte da sua vida.

As crianças se apegam, criam um vínculo afetivo. As menores podem até esquecer, perguntar uma vez e deixar de questionar. Mas as maiores sentem falta sim, elas querem saber o que aconteceu, por que ele não vem mais em casa, muitas coisas vão passar em sua cabecinha e podem até perguntar “ele não gosta mais de mim?“. É uma situação bem difícil de contornar, de explicar que seu filho não tem culpa, de que a questão é com a mamãe.

Eu por exemplo, tinha esse pensamento de que eu não iria namorar tão cedo, que só permitiria envolver a Dani quando eu tivesse certeza do que eu queria, certeza de que a pessoa seria um bom exemplo, de que ele se daria bem com a minha filha, de que todas as questões estariam ao nosso favor.

Mas o que você está sugerindo, Carol? Que eu deixe de aproveitar a minha vida por ter um filho? De jeito nenhum. Eu só acho que a gente precisa pensar bem antes de colocar as pessoas dentro de casa, antes de apresentar ao seu filho alguém que muito provavelmente criará um laço entre vocês três. Muitas vezes a culpa não é nossa, a gente se engana, enxerga de um jeito que não é, ou muitas vezes o próprio destino trata de dizer que não vai ser como o planejado. Só acho importante tomar ainda mais cuidado quando envolvemos nossos filhos.

Mas não pense que ninguém vai te querer por você ser mãe solteira, nem se desespere. Eu entendo, atualmente você não sai, não vai para a balada, só frequenta parquinhos e reuniões de escola. Você pode pensar que não tem onde e como conhecer alguém, a não ser na sala de espera do pediatra. Mas sabia que quando você menos espera, é aí que você encontra? Sendo bem clichê mesmo, mas também bem verdadeira. E se eu te contar que meu namorado há quase um ano é também meu melhor amigo há oito?

Bom mamães, é isso. Eu espero de coração que encontre alguém incrível. Tenha calma, paciência, seja seletiva MESMO. Não pense que essa é última oportunidade da sua vida, porque não é. E não se esqueça que te amar agora não é suficiente, ele precisa amar também o coraçãozinho que bate fora de você, chamado seu filho.

Obs: e se você, senhor pretendente de uma mãe solteira, não tiver sérias intenções a respeito dela, por favor nem se aproxime.

CONHEÇA A HISTÓRIA DO BLOG: Mami Jornalista, do meu mundo materno para o seu.