20 out | 2017

Precisamos falar sobre o Bullying Infantil

Hoje, dia 20 de outubro, é considerado o Dia Mundial do Combate ao Bullying. No Brasil essa data é celebrada no dia 07 de abril, de acordo com a  Lei 13.277/2016. O projeto foi aprovado pelo senado exatamente cinco anos após o massacre de Realengo, onde um ex-aluno, na época com 23 anos, invadiu à sua escola de infância, causando a morte de 12 crianças. Acredita-se que o motivo tenha sido um: Bullying Infantil.

Gente, isso é sério e precisa sim ser discutido, não é “clichê” falar de Bullying, não é um assunto “do passado”, não é um tema “que estamos acostumados”. Muito pelo contrário, precisamos alcançar cada vez mais pessoas, cada dia mais crianças, para que o Bullying seja tratado como algo importante e perigoso.

Várias crianças sofrem com esse tipo de humilhação, a maioria caladas. Geralmente são em lugares que elas frequentam, que odeiam frequentar, e que os pais acham que está tudo ok. Algumas tentam se abrir, tentam pedir ajuda mas não encontram em quem se apoiar. Muitas acabam se sentindo sozinhas, mesmo rodeadas de pessoas.

E para explicar melhor o que se passa na cabeça da vítima, conversei com algumas meninas que sofreram com o Bullying na infância, afim de mostrar que ele pode ocorrer de várias formas, em diversas situações. Elas aceitaram contar para o Blog Mami Jornalista as suas histórias. O intuito é fazer com que as pessoas entendam o quão séria essa violência é o quanto ela pode afetar a vida de alguém.

 

Bullying Infantil

Foto Redrodução: Chinn Le Duc – Unsplash


Confira minha conversa com a
 Mariana, Sabrina e Nadyne:

Me conta um pouco sobre você: como se chama, quantos anos tem, onde mora, estuda, trabalha?

Mariana: Meu nome é Mariana, 20 anos, Rio de Janeiro, estudante.

Sabrina:  Meu nome é Sabrina, tenho 17 anos, moro em Avanhandava e Estudo na E.E estadual Maria Eunice, estou no 3 ano do ensino médio.

Nadyne: Eu me chamo Nadyne, tenho 20 anos, moro no Rio de Janeiro e curso Letras-Italiano na UERJ.

 

Quando você foi vítima do Bullying? Onde foi e quem eram os agressores?

 Mariana: Sofri no finalzinho da infância para o começo da adolescência. Praticamente em todos os lugares que eu frequentava, como escola, condomínio e curso, pelos meus colegas de turma.

Sabrina: Sofria bullying na escola, por ser deficiente, me chamavam de quatro olhos e faziam rodinha para me bater, fora as encaradas que levava e ainda levo por conta de ter um olho fechado. Eram crianças de outras salas, os que estudavam comigo já eram acostumados e me adoravam.

Nadyne: Posso dizer que eu sofri bulliyng a maior parte da minha infância e pré adolescência. Alguns por colegas de classe na escola e outros pelos colegas que moravam no mesmo prédio que eu, todos eles eram mais velhos e eu fui muito afetada por ser a caçula (a diferença de idade era de 3 a 5 anos).

 

Quando você se deu conta de que isso não era uma brincadeira e sim um ato de violência?

Mariana: Eu sempre fui muito fechada e a primeira vez que me abri foi com uma colega. Contei tudo o que estava acontecendo para ela e ela me disse que eu estava sofrendo bullying. Eu tinha 12 anos na época e sempre ouvia falar sobre, mas não acreditava que aquilo acontecia de fato comigo até ter tido aquela conversa.

Sabrina: A partir do momento que começaram a me cercar pra me bater, e só saiam quando batia o sinal de entrada para a sala.

Nadyne: Eu vi que não era algo com que se pudesse brincar logo na hora, é um sentimento de impotência, um aperto no coração e vontade de chorar que a única coisa que se pensa é sair do ambiente e ficar sozinha.

 

Quanto tempo você sofreu com o Bullying?

Mariana: Por muitos anos… Quase minha adolescência toda.

Sabrina: Sofro até hoje um pouco, mas a maior parte foi até os 10 anos.

Nadyne: A prática ocorreu por um bom tempo, até eu me fechar completamente e começar a me tornar alguém que eu não era pra buscar a aceitação das pessoas.

 

Alguém sabia que isso estava acontecendo com você?

Mariana: Não, só essa amiga e depois de um tempo minha mãe ficou sabendo.

Sabrina: Inicialmente não, eu tinha medo de contar para minha família, mas minha mãe foi descobrindo ao longo do tempo, pois comecei a me distanciar de tudo.

Nadyne: Ninguém sabia o que eu passava, sempre tive muita vergonha e medo de acharem que eu estava “exagerando”.

 

Alguma vez você sentiu vergonha de si mesma? Ou seja, você chegou a acreditar que as acusações maldosas sobre você eram verdadeiras?

Mariana: Sim, o tempo todo. Imagine como deve ser para a cabeça de uma criança ouvir coisas horríveis sobre si mesma. Eu acreditei em tudo, tinha dias que eu nem queria me olhar no espelho.

Sabrina: Sim! Até pouco tempo atrás eu acreditava na maldade das pessoas, agora eu fico na minha, acreditando ou não.

Nadyne: Em todo momento eu acreditava no que eles diziam, e até algum tempo atrás algumas coisas refletiam na minha auto estima (um pouco mais raro atualmente, mas as vezes ainda acontece).

 

Quando e como o Bullying parou?

Mariana: Não houve uma data exata, acho que com o tempo, as pessoas foram criando maturidade e começaram a prestar atenção em outras coisas. Eu sei que depois de uma certa idade isso não rolou mais comigo.

Sabrina: Como eu disse, ainda não parou, mas são bem menos pessoas agora, o que ainda acontece é ficarem olhando meu olho com problema e perguntarem toda hora se foi algum acidente de carro.

Nadyne: O bullying parou quando eu troquei de classe e alguns dos alunos saíram da escola, e no prédio as crianças foram crescendo, se afastando e alguns se mudaram.

 

Você conseguiu superar o Bullying? Como lida com toda essa situação do passado? Ficaram mágoas?

Mariana: Não posso dizer que superei, até hoje ainda lembro do que sofri. Hoje em dia sou uma pessoa muito insegura por causa do que sofri, mas não guardo mágoas das pessoas que fizeram isso comigo, até porque elas já não são as mesmas pessoas que eram quando crianças, então não acho que há motivo para raiva, mas eu ainda lembro o que cada uma delas fez comigo.

Sabrina: Mágoas eu não tenho, mas sei que as pessoas que fazem isso, no final vão pagar um preço alto com Deus. Hoje em dia ignoro os olhares maldosos, finjo que ninguém existe ali.

Nadyne: Superar tudo o que passei 100%, eu não superei, mas tenho caminhado para que isso aconteça. Não guardo mágoas de ninguém, de forma alguma, pelo contrario, acho que as crianças que praticam o bullying são extremamente carentes de atenção e merecem ser tratadas tanto quanto as que sofrem com essa situação. Elas precisam entender o que se passa e se colocar no lugar do outro, entender que algumas “brincadeiras” machucam e não devem ser feitas, jamais.

 

O que você diria para as crianças que hoje sofrem caladas com o Bullying?

Mariana: Por favor, não fique calado. Conte para seus pais o que está acontecendo, se não se sente a vontade para falar com eles, conte para um professor, coordenador, alguém que possa ajudar… Você não precisa passar por essas coisas sozinho.

Sabrina: Diria que elas contassem para os pais o mais rápido possível, sei que é bem difícil, mas as coisas podem piorar se resolver sozinho, e para que nunca se sintam superiores, cada um tem um jeito de ser, todo mundo é bonito e tem suas qualidades. Se valorizem mais!

Nadyne: Eu diria paras crianças que vivenciam o mesmo que eu presenciei, que não se calem, não tenham medo de expor seus sentimentos, principalmente para seus pais, se tiver vontade de chorar, chore, mas em momento algum guarde as coisas pra si. Se aceite da maneira que é, você é lindo(a) e pessoas te amam do jeitinho que você é!

 

E para o seu agressor, o que diria? 

Mariana: Sinceramente? Eu não diria nada. Eu acho que não há o que dizer. Hoje em dia eles já são adultos, sabem do que fizeram. Se souberam que erraram ou não, isso vai da consciência de cada um. Só espero que tenham se tornado pessoas melhores.

Sabrina: Diria para não se preocupar, por que a justiça de Deus nunca falha, e um dia pode ser você que sofrera as consequências.

Nadyne: E para os meus agressores: vocês estão perdoados!

 

Nadyne também deixou um alerta para os pais: 

NÃO IGNOREM SEUS FILHOS, não pense que tudo é por conta da adolescência e que tudo é drama ou exagero, os sentimentos são reais, o bullying é real e com ele vem uma série de fatores como a depressão, a baixa auto estima, e coisas que vocês nem imaginam que se passam pela cabeça de seu filho.

 

Bullying Infantil

Foto Reprodução Jordan Whitt – Unsplash


O bullying infantil pode estar em qualquer lugar. Pais e mães, observem o comportamento de seus filhos, conversem com eles, ensinem! Não permitam que eles sejam vítimas nessa violência, muito menos permitam que se tornem os agressores. Eles precisam de vocês, precisam sentir que podem confiar, que não serão julgados, e sim que serão ouvidos e principalmente serão tratados com respeito.O bullying não é normal e muito menos é uma brincadeira. Mostrem-se presentes!

 

Agradeço as participações de:

Mariana Viglio Bullying infantil

Mariana Viglio 
Blog: marianaviglio.blogspot.com
Instagram: @marianaviglio

 

Sabrina Pereira Bullying Infantil

Sabrina Santos Pereira
Blog: Charme de Menina
Instagram:@saaasantos

 

Nadyne Voi
Youtube: Canal Serena
Instagram: @nadynevoi